Ana Gabriela Pereira - 13
Ana Marta Baptista - 15
Inês Lourenço - 17
Inês Pereira Gomes – 17
Ingo König - 19
Isabel Jacinto – 12
Isabel Quiala - 13
Ivan Gomes - 13
Joana Dias – 13
João Teixeira - 12
Jorge Rodrigues – 18
Marta Talhão – 17
Nuno Belo - 15
Paula Garcia - 13
Raquel Silva - 15
Qualquer dúvida, peço que me contactem.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Para que serve um teste?
1 – forma de avaliação de conhecimento;
2 – permite quantificar a qualidade do trabalho (normalmente com uma nota de 0 a 20);
3 – modo do aluno restringir a 2 horas de escrita tudo o que aprendeu ao longo de 4 meses;
4 – avaliação da capacidade de síntese do aluno;
5 – permite ao professor compreender o modo de pensar do aluno;
6 – forma de avaliar a capacidade de escrita e exposição de ideias;
7 – facilita a avaliação do aluno por parte do professor, na medida em que este tipo de avaliação se aplica igualmente a todos;
8 – meio que proporciona ao aluno compreender se adquiriu os conhecimentos necessários;
9 – o aluno consegue deste modo perceber se o seu método de estudo é adequado;
10 – incentivo ao aluno para desenvolver o pensamento crítico relativamente à matéria dada.
Ana Marta Baptista, nº25594
3º ano – Ciências da Comunicação
2 – permite quantificar a qualidade do trabalho (normalmente com uma nota de 0 a 20);
3 – modo do aluno restringir a 2 horas de escrita tudo o que aprendeu ao longo de 4 meses;
4 – avaliação da capacidade de síntese do aluno;
5 – permite ao professor compreender o modo de pensar do aluno;
6 – forma de avaliar a capacidade de escrita e exposição de ideias;
7 – facilita a avaliação do aluno por parte do professor, na medida em que este tipo de avaliação se aplica igualmente a todos;
8 – meio que proporciona ao aluno compreender se adquiriu os conhecimentos necessários;
9 – o aluno consegue deste modo perceber se o seu método de estudo é adequado;
10 – incentivo ao aluno para desenvolver o pensamento crítico relativamente à matéria dada.
Ana Marta Baptista, nº25594
3º ano – Ciências da Comunicação
sábado, 14 de maio de 2011
aTravessa, poesia dos lugares
Enzo Minarelli, poesia sonora. Este e outros senhores vão estar na Casa Pessoa dias 18 e 19 de Maio, a partir das cinco.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Take this, Jonathan Swift
O Pato sem Piedade
Era uma vez no Jardim do Gulbenkian um pato. Não sei se você conhece este jardim, mas é uma asneira, uma destas tentativas modernas de converter o que Deus deu a este mundo numa obra de arte, sacrilégio que com certeza vai encontrar a sua pena algum dia. O nosso bom senso tem de dirigir-se contra isso, mas não contra os animalzinhos que, quem sabe por quê, decidiram morar nesta afronta ao Senhor. Contudo, nem estes bichos são iguais, há alguns que foram comprometidos pelo ambiente.
Por exemplo a Dolly. A Dolly era um pato, nasceu numa primavera luminosa perto do regato que atravessa uma parte do areal. Pouco se sabe sobre a família dela, mas presumimos que faltava a forte figura do pai, entregando a nossa protagonista à gestão da mãe que, embora crente (por isso o nome Dolores) e devota, era fraca. Não sabia proteger a filha dos múltiples perigos que distinguem o jardim do Gulbenkian, impressões que iriam estragar o que tinha de bom e modesto na alma de Dolores: Gente jovem da universidade, homens e mulheres urbanos, artistas; todos a povoar o jardim, convertendo-o numa Babilônia, um lugar putrefacto de sussurros lascivos, beijos roubados a bocas do outro ou até do próprio sexo, prácticas desportivas estrangeiras de duvidoso objectivo, consumo de substâncias entorpecentes. Um nojo. E Dolores no centro, cada vez pior, cada vez mais impugnando a autoridade da mãe e as suas advertências benevolentes: Não olhes, Dolores, não perguntes! Mas Dolores, ou Dolly, como se chamava agora, não ouviu, não queria ouvir. De onde era que vinha esta gente? O quê tinha detrás dos arbustos e muros, os confins do mundo do jardim?
Um dia Dolly decidiu sair. Gingou pelos caminhos torcidos, rumo ao limite do parque, a serventia pela qual entrava e saía toda a gente. Passo a passo se acercou. Novos sons entraram pelos ouvidos dela, alheios e fascinantes. Lá tinha ainda mais humanos, menos do verde familiar e íntimo da pátria. O chão também era outro, tinha uma cor diferente, um cinzento escuro, e outra temperatura. Emitia calor.
Dolly morreu neste mesmo dia de verão, atropelada por um carro. Foi a culpa dela e da sua sociedade, ambas não suficientemente fortes para se defenderem contra o mal que vem de fora.
sábado, 30 de abril de 2011
Livro assim ou assado
(Isto é um comentário que não consegui fazer no devido lugar - o video da entrevista anteriormente postado -, por causa de complicações técnicas de identidade. Movida pela irritação, postei como "mensagem". Um simples pormenor de formato, não é? O que importa é que está aqui o que penso.)
Porquê conceber uma capa dura com um punhado de folhas lá dentro como um objecto sacro? Eu admiro a transportabilidade do livro, o facto de poder tirar notas e sublinhar no seu suporte de papel, o formato "organizadinho" do objecto em si. Mas não posso tirar o mérito aos livros em digital, que já tanto me auxiliaram em trabalhos académicos, por exemplo. Não há orçamento que aguente o desejo que um espírito tem de instrução, se este só encontrar realização na materialidade.
A música perdeu qualidade desde que passou a ser ouvida nos mp3? Então estou segura de que um livro não deixará morrer a literatura só porque esta se transportou para outro corpo. A alma, que são as palavras (difícil conclusão), mantém-se intacta e inabalável. No big deal.
No fundo, estamos aqui em mãos com a questão de Benjamin sobre a "Reprodutibilidade Técnica", a qual democratizou o acesso às obras de arte.
Isso é mau?
A música perdeu qualidade desde que passou a ser ouvida nos mp3? Então estou segura de que um livro não deixará morrer a literatura só porque esta se transportou para outro corpo. A alma, que são as palavras (difícil conclusão), mantém-se intacta e inabalável. No big deal.
No fundo, estamos aqui em mãos com a questão de Benjamin sobre a "Reprodutibilidade Técnica", a qual democratizou o acesso às obras de arte.
Isso é mau?
sexta-feira, 29 de abril de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
Queixa das Almas Jovens Censuradas
Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
Mais um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma de uma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
Com as cabeleiras das avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa historia sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Somos vazios despovoados
De personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco
Dão-nos um pente e um espelho
Pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
Um avião e um violino
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida, nem é a morte
E uma alma para ir à escola
Mais um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma de uma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
Com as cabeleiras das avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa historia sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Somos vazios despovoados
De personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco
Dão-nos um pente e um espelho
Pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
Um avião e um violino
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida, nem é a morte
Natália Correia
(um poema para relembrar o Portugal que o Abril de 74 transformou)
sábado, 9 de abril de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
http://www.youtube.com/watch?v=apgc_wMQ4uM
Este audio é um bocadinho malcriado, por isso fica ao vosso critério. Mas é um exemplo de como a linguagem pode ir a sítios do "corpo-língua" que, por razões óbvias, o modelo dominante de 'texto literário' evita.
Podem confrontar com, entre outros: Luiz Pacheco, Mário Cesariny, António Aragão, Alberto Pimenta, Al Berto...
Este audio é um bocadinho malcriado, por isso fica ao vosso critério. Mas é um exemplo de como a linguagem pode ir a sítios do "corpo-língua" que, por razões óbvias, o modelo dominante de 'texto literário' evita.
Podem confrontar com, entre outros: Luiz Pacheco, Mário Cesariny, António Aragão, Alberto Pimenta, Al Berto...
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Subversão
A fórmula de um livro
“Juntamos algo da nossa experiência vivida a algo que não conhecemos”, assim fala Rui Zink a propósito do seu livro Hotel Lusitano, numa breve entrevista à RTP2. Esta pode ser entendida como uma fórmula, a meu ver, que permite ao autor ir além de si sem sair de si, no acto da escrita; uma permanência do Eu que se combina com a sua própria imaginação, um “vá para fora cá dentro”, como já dizia o slogan publicitário...
A grande dificuldade daqueles que procuram escrever para um público numericamente maior que as três pessoas que têm sentadas no sofá da sala de estar, decerto terá a ver com questões de inibição relativamente a uma escrita que parece não ser capaz de ultrapassar o nível da telenovela que se confina às quatro paredes. No entanto, sugere-se-me que possa também estar relacionada com essa (in) capacidade de misturar, com esse receio de não se atingir o “ponto caramelo” da literatura invejável.
Alguns, e inumeráveis, serão os autores que pecaram pela separação do vivido e do imaginado, explorando separadamente cada um deles, não permitindo que um tempere o outro, e, desse modo, somos levados numa escrita que, ou é demasiado pessoal e apaixonada (que nos toca na pele até fazer ferida), ou demasiado ilusória e pouco tangível. Há uma relação proximidade/afastamento com o livro que precisa ser criada, e esta terá certamente a ver com o equilíbrio perfeito entre a verdade e a fantasia, entre aquilo que o autor sentiu e aquilo que a imaginação lhe ditou. É desta contaminação que parece viver a boa literatura, aquela que não nos arrancando impiamente à realidade, nos deleita nas suas possibilidades ínfimas e desconhecidas.
Inês Lourenço
A grande dificuldade daqueles que procuram escrever para um público numericamente maior que as três pessoas que têm sentadas no sofá da sala de estar, decerto terá a ver com questões de inibição relativamente a uma escrita que parece não ser capaz de ultrapassar o nível da telenovela que se confina às quatro paredes. No entanto, sugere-se-me que possa também estar relacionada com essa (in) capacidade de misturar, com esse receio de não se atingir o “ponto caramelo” da literatura invejável.
Alguns, e inumeráveis, serão os autores que pecaram pela separação do vivido e do imaginado, explorando separadamente cada um deles, não permitindo que um tempere o outro, e, desse modo, somos levados numa escrita que, ou é demasiado pessoal e apaixonada (que nos toca na pele até fazer ferida), ou demasiado ilusória e pouco tangível. Há uma relação proximidade/afastamento com o livro que precisa ser criada, e esta terá certamente a ver com o equilíbrio perfeito entre a verdade e a fantasia, entre aquilo que o autor sentiu e aquilo que a imaginação lhe ditou. É desta contaminação que parece viver a boa literatura, aquela que não nos arrancando impiamente à realidade, nos deleita nas suas possibilidades ínfimas e desconhecidas.
Inês Lourenço
segunda-feira, 4 de abril de 2011
domingo, 3 de abril de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
Manuais de História ainda contam o mundo à moda do Estado Novo
Clara Viana, Público 28/3
Os manuais de História do 3º ciclo do ensino básico continuam a perpetuar "muitos dos discursos do Estado Novo". São apresentados de um modo "mais subtil e suavizado", mas constituem "um corpo ideológico" que continua a condicionar o modo como se fala do racismo, do nacionalismo e da "história dos outros". As constatações são da investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra Marta Araújo e têm como base uma análise dos cinco manuais de História mais vendidos, em 2008/2009, no 7º, 8º e 9º anos de escolaridade.
Esta análise constituiu o ponto de partida para a investigação Raça e África em Portugal, que Marta Araújo lidera no CES. No âmbito deste projecto, que ficará concluído em Agosto, estão a ser realizadas também entrevistas a historiadores, estudantes universitários, professores e alunos do 3º ciclo.
"Tentámos ir mais além da identificação das representações dominantes. Sabemos que são estereotipadas, existem imensos estudos que o mostram. Em vez de fazermos mais um, assumimo-los como ponto de partida e fomos antes tentar explorar a ideologia que lhes subjaz e o modo como através desta se naturalizam as relações de poder", explica a investigadora.
Como se conta o mundo então? "Garantindo a presença da Europa no seu centro." "Este eurocentrismo exprime uma pretensão universalizante, através da qual o modelo de desenvolvimento europeu ocidental é adoptado como padrão para avaliar todas as outras sociedades", explica Marta Araújo.
Clara Serrano, investigadora dos Centros de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, também tem andado à volta dos manuais de História do ensino básico e à semelhança de Marta Araújo constatou que nestes livros " a história universal é estruturada e apresentada a partir de uma perspectiva marcadamente eurocentrista". "A história dos outros continentes é muito pouco leccionada - e, quando é, é-o como efeito secundário do conhecimento de actividades de descobrimento e colonização protagonizadas por povos europeus", explicita. Não é um exclusivo: "É curioso verificar que os próprios manuais dos países não europeus não conseguiram escapar a esta linha europeísta."
Para Marta Araújo, o eurocentrismo como ideologia ganha eficácia "através da despolitização". Por exemplo, a guerra colonial tende a ser descrita "não como uma guerra de libertação, mas sim como uma guerra de guerrilha sem um propósito". Há livros em que as únicas imagens reproduzidas são a de soldados portugueses mortos, uma forma, segundo a investigadora, de reforçar uma narrativa recorrente. "Também a encontramos, por exemplo, nos capítulos da Reconquista da Península Ibérica. E a imagem que se faz passar é que nós, portugueses, fomos forçados a sermos violentos, enquanto eles, sejam angolanos ou mouros, são naturalmente violentos e bárbaros."
É o que está patente nestes trechos apresentados em manuais do 7º e 9º ano e que são reproduzidos pela investigadora num artigo publicado na revista Estudos de Sociologia.
Sobre a Reconquista: "No século VIII, os Cristãos viram a sua vida quotidiana - em si bastante instável - ameaçada pela chegada dos Muçulmanos. Em consequência os Cristãos estabeleceram contacto com os Cruzados de outros reinos Cristãos Europeus com os quais reuniram esforços para recuperaram os territórios perdidos(...)."
Sobre a guerra colonial: "Um sentimento generalizado de medo entre os colonos levou-os a matar muitos indígenas enquanto outros fugiram, indo juntar-se aos guerrilheiros. Posteriormente, tribos do Norte de Angola assassinaram centenas de colonos."
"Há sempre um jogo que naturaliza a nossa violência e que esvazia o lado político da luta deles", frisa Marta Araújo.
"Ranking dos colonialismos"
Num manual do 8º ano explica-se que os portugueses foram para África, porque queriam fazer comércio. O modo como se narra o que aconteceu então e depois acaba por dar corpo a uma espécie de "ranking dos colonialismos". "O racismo é sempre tido como um fenómeno circunscrito e associado aos impérios francês e britânico." As atrocidades ficam sobretudo por conta dos espanhóis. E a nós atribuem-nos uma espécie de "colonialismo suave", uma leitura que, segundo Marta Araújo, voltou a ganhar força nos últimos dez anos.
Com a ênfase europeia no multiculturalismo, Portugal volta a apresentar-se como tendo um papel pioneiro, ressuscitando "o discurso lusotropicalista que foi apropriado pelo Estado Novo" - essa ideia de que os portugueses sempre tiveram melhor capacidade de adaptação a outros povos e culturas. "Nunca se discute o fenómeno do racismo. Ou é tido como um fenómeno circunscrito a outros, ou como uma atitude individual, ou como ligado a situações extremas, como o nazismo", frisa.
Não por acaso, acrescenta, na maioria dos manuais não existe uma única referência aos ciganos: "É uma parte da população que desapareceu." Os manuais escolares, sendo um dos principais recursos utilizados nas salas de aulas, "dizem bastante sobre o modo como se ensina a História nas escolas", afirma Clara Serrano.
Existe uma "simplificação" que é potenciada pela extensão dos programas em vigor e a carga horária reduzida atribuída à disciplina. E esta simplificação contribui para o êxito de um propósito, adverte: "Não nos podemos esquecer que os manuais são transmissores de valores que a instituição escolar e, em última análise, o poder instituído pretendem transmitir. Por isso, a escolha da linguagem, do estilo, a selecção dos assuntos e dos textos, a organização e hierarquização dos conteúdos não será de todo inocente."
Os manuais de História do 3º ciclo do ensino básico continuam a perpetuar "muitos dos discursos do Estado Novo". São apresentados de um modo "mais subtil e suavizado", mas constituem "um corpo ideológico" que continua a condicionar o modo como se fala do racismo, do nacionalismo e da "história dos outros". As constatações são da investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra Marta Araújo e têm como base uma análise dos cinco manuais de História mais vendidos, em 2008/2009, no 7º, 8º e 9º anos de escolaridade.
Esta análise constituiu o ponto de partida para a investigação Raça e África em Portugal, que Marta Araújo lidera no CES. No âmbito deste projecto, que ficará concluído em Agosto, estão a ser realizadas também entrevistas a historiadores, estudantes universitários, professores e alunos do 3º ciclo.
"Tentámos ir mais além da identificação das representações dominantes. Sabemos que são estereotipadas, existem imensos estudos que o mostram. Em vez de fazermos mais um, assumimo-los como ponto de partida e fomos antes tentar explorar a ideologia que lhes subjaz e o modo como através desta se naturalizam as relações de poder", explica a investigadora.
Como se conta o mundo então? "Garantindo a presença da Europa no seu centro." "Este eurocentrismo exprime uma pretensão universalizante, através da qual o modelo de desenvolvimento europeu ocidental é adoptado como padrão para avaliar todas as outras sociedades", explica Marta Araújo.
Clara Serrano, investigadora dos Centros de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, também tem andado à volta dos manuais de História do ensino básico e à semelhança de Marta Araújo constatou que nestes livros " a história universal é estruturada e apresentada a partir de uma perspectiva marcadamente eurocentrista". "A história dos outros continentes é muito pouco leccionada - e, quando é, é-o como efeito secundário do conhecimento de actividades de descobrimento e colonização protagonizadas por povos europeus", explicita. Não é um exclusivo: "É curioso verificar que os próprios manuais dos países não europeus não conseguiram escapar a esta linha europeísta."
Para Marta Araújo, o eurocentrismo como ideologia ganha eficácia "através da despolitização". Por exemplo, a guerra colonial tende a ser descrita "não como uma guerra de libertação, mas sim como uma guerra de guerrilha sem um propósito". Há livros em que as únicas imagens reproduzidas são a de soldados portugueses mortos, uma forma, segundo a investigadora, de reforçar uma narrativa recorrente. "Também a encontramos, por exemplo, nos capítulos da Reconquista da Península Ibérica. E a imagem que se faz passar é que nós, portugueses, fomos forçados a sermos violentos, enquanto eles, sejam angolanos ou mouros, são naturalmente violentos e bárbaros."
É o que está patente nestes trechos apresentados em manuais do 7º e 9º ano e que são reproduzidos pela investigadora num artigo publicado na revista Estudos de Sociologia.
Sobre a Reconquista: "No século VIII, os Cristãos viram a sua vida quotidiana - em si bastante instável - ameaçada pela chegada dos Muçulmanos. Em consequência os Cristãos estabeleceram contacto com os Cruzados de outros reinos Cristãos Europeus com os quais reuniram esforços para recuperaram os territórios perdidos(...)."
Sobre a guerra colonial: "Um sentimento generalizado de medo entre os colonos levou-os a matar muitos indígenas enquanto outros fugiram, indo juntar-se aos guerrilheiros. Posteriormente, tribos do Norte de Angola assassinaram centenas de colonos."
"Há sempre um jogo que naturaliza a nossa violência e que esvazia o lado político da luta deles", frisa Marta Araújo.
"Ranking dos colonialismos"
Num manual do 8º ano explica-se que os portugueses foram para África, porque queriam fazer comércio. O modo como se narra o que aconteceu então e depois acaba por dar corpo a uma espécie de "ranking dos colonialismos". "O racismo é sempre tido como um fenómeno circunscrito e associado aos impérios francês e britânico." As atrocidades ficam sobretudo por conta dos espanhóis. E a nós atribuem-nos uma espécie de "colonialismo suave", uma leitura que, segundo Marta Araújo, voltou a ganhar força nos últimos dez anos.
Com a ênfase europeia no multiculturalismo, Portugal volta a apresentar-se como tendo um papel pioneiro, ressuscitando "o discurso lusotropicalista que foi apropriado pelo Estado Novo" - essa ideia de que os portugueses sempre tiveram melhor capacidade de adaptação a outros povos e culturas. "Nunca se discute o fenómeno do racismo. Ou é tido como um fenómeno circunscrito a outros, ou como uma atitude individual, ou como ligado a situações extremas, como o nazismo", frisa.
Não por acaso, acrescenta, na maioria dos manuais não existe uma única referência aos ciganos: "É uma parte da população que desapareceu." Os manuais escolares, sendo um dos principais recursos utilizados nas salas de aulas, "dizem bastante sobre o modo como se ensina a História nas escolas", afirma Clara Serrano.
Existe uma "simplificação" que é potenciada pela extensão dos programas em vigor e a carga horária reduzida atribuída à disciplina. E esta simplificação contribui para o êxito de um propósito, adverte: "Não nos podemos esquecer que os manuais são transmissores de valores que a instituição escolar e, em última análise, o poder instituído pretendem transmitir. Por isso, a escolha da linguagem, do estilo, a selecção dos assuntos e dos textos, a organização e hierarquização dos conteúdos não será de todo inocente."
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quinta-feira, 24 de março de 2011
Eurovision 1977 - Os Amigos - Portugal no coração
Comentário: 1977 - em parte o produto que os Homens da Luta agora homenageiam/parodiam com carinho, troça, ironia, duplos sentidos dentro de duplos sentidos. Podemos talvez comparar os dois vídeos. (aula de 23/3)
quarta-feira, 16 de março de 2011
poesia popularíssima
seguem aqui as minhas tentativas... optei por não dar muita importância ao número das sílabas, isso, enfim, pode-se facilmente compensar na leitura a voz alta.
miradouro
sentados ao lado do adamastor
vemos o monstro nos enfrentar
saudação pedernal do redentor*
para nós e o ponte salazar.
* monumento mais feio da zona
antes do rendez-vous
a aula quase está a terminar
falta só um quarto de hora
contudo não paro de esperar
que acabe, que possa ir embora.
rendez-vous?
logo, às cinco e trinta
– o cinzeiro já está cheio –
toda esperança é extinta
ela/ele simplesmente não veio.
miradouro
sentados ao lado do adamastor
vemos o monstro nos enfrentar
saudação pedernal do redentor*
para nós e o ponte salazar.
* monumento mais feio da zona
antes do rendez-vous
a aula quase está a terminar
falta só um quarto de hora
contudo não paro de esperar
que acabe, que possa ir embora.
rendez-vous?
logo, às cinco e trinta
– o cinzeiro já está cheio –
toda esperança é extinta
ela/ele simplesmente não veio.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Podem procurar no Youtube trechos de narração oral
Talvez buscar com palavras-chave, como "contador de histórias", "Contos orais", etc.
Aqui vai uma amostra:
II Encontro Internacional de Narração Oral (Almada)
Aqui vai uma amostra:
II Encontro Internacional de Narração Oral (Almada)
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